Notícias

Pesquisa populacional e dados econômicos revelam como está a Irlanda de 2016

28/07/2016

Tweet Linkedin Google+

O crescimento econômico de 26% da Irlanda em 2015 virou notícia no mundo todo. Isso porque o país conseguiu se reerguer muito bem depois da crise de 2008, mas o número não representa uma realidade. A Irlanda recebeu muitas empresas de fora que trouxeram sua sede e capital para o país porque a taxa de imposto é mais baixa. Isso acabou inflando os números do Produto Interno Bruto (PIB) irlandês. O crescimento real fica em torno de 5%. Mas é fato que a Irlanda está diferente.

Multinacionais estão em busca de profissionais e, com abertura de vagas de emprego, mais pessoas escolhem o país como casa. Assim, o mercado imobiliário fica aquecido e o impacto também chega à educação, ao transporte público, à saúde, ao lazer e assim por diante. Neste mês de julho, foram divulgados os primeiros resultados do censo 2016. A última pesquisa populacional foi realizada em 2011. Os primeiros números disponibilizados para consulta pública já ajudam a entender um pouco como está a Ilha.

População

A população da Irlanda cresceu 3,7% nos últimos cinco anos. De acordo com o censo realizado em abril deste ano, o país tem 4.757.976 de pessoas vivendo em seu território. Entre as regiões que mais influenciaram esse crescimento está Dublin e seus arredores. Em seguida, Meath, Kildare, Laois e as cidades de Cork e Galway. Dados sobre as nacionalidades estrangeiras que vivem no país ainda não foram divulgados. No último censo, pessoas de 199 nacionalidades estavam na Irlanda.

 

Moradia

Desde o ano passado, a Irlanda enfrenta uma crise no mercado imobiliário. A disputa por imóveis é grande e isso fez o valor do aluguel disparar, especialmente na capital. Pesquisas com base no pagamento real por moradia mostram que uma casa em Dublin custa em média 1.454 euros mensais, enquanto um apartamento fica em torno de 1.306 euros. Segundo o censo, o número de casas ocupadas aumentou em 49.285 desde abril de 2011, o que representa 3%, enquanto o número de residências vagas caiu quase 14%. Ainda assim, existem muitas casas desocupadas e o Governo trabalha para comprar imóveis dos bancos e construir 45 mil moradias sociais até 2021.

Migração

Só em Dublin, por exemplo, houve um crescimento populacional de 7.257 pessoas nos últimos cinco anos, muita gente chegando de outros países e até mesmo de regiões do interior da Irlanda. Nos arredores da capital, Dún-Laoghaire também ficou mais populosa, com mais de 4 mil novos habitantes. No entanto, Donegal perdeu 6.731 moradores. A movimentação de pessoas é contínua. Sabe-se que a saída de irlandeses para outros países acontece com frequência, são cerca de 5.700 pessoas por ano entre o período de 2011 e 2016, mas a redução foi grande se comparado à média anual do censo anterior que chegava perto de 25 mil por ano. Os resultados dessa última pesquisa populacional ainda está sendo avaliado criteriosamente para que todas as informações recebidas através dos formulários preenchidos em abril pelos moradores reflitam o cenário real do país.

Empregos

A taxa de desemprego na Irlanda, segundo o CSO - escritório de estatísticas central, fechou em 7.8% no mês de junho. Mais pessoas têm conseguido colocação no mercado de trabalho nos últimos anos. Os setores de tecnologia e financeiro são os que mais absorvem profissionais qualificados. Isso ajudou muito no crescimento da economia, mas garantir colocação para os irlandeses nos setores de destaque na Irlanda é um desafio. Universidades, empresas e Governo trabalham em parceria com diferentes programas para superá-lo.

Para intercambistas, a Irlanda continua de portas abertas, com oportunidades para estudar inglês e trabalhar durante a experiência internacional. Os cursos devem ser de seis meses, com pelo menos 15 horas semanais de estudo, para um visto de oito meses. Nesse período, estudantes podem trabalhar 20 horas por semana enquanto estudam e 40 horas durante as férias de verão e fim de ano. Quem pensa em investir em cursos de graduação, o país tem universidades reconhecidas internacionalmente. Os programas de estágio em parceria com empresas têm permitido a entrada de recém-formados no mercado de trabalho. Muitos brasileiros que vêm para um intercâmbio fazem da Irlanda sua casa definitiva.

 

Por Marciéli Palhano, jornalista e intercambista em Dublin.